2016: Comemoração da Passagem

Astrologicamente, não ocorre nenhum evento notável na passagem do ano. Normalmente, é uma data simbólica de mudança de um calendário, sem que haja efemérides de renome.

Mas toda essa comemoração vale?

Sim, é um mapa válido como se comemorasse um aniversário, só que dessa vez é coletivo. Mas que símbolo maior temos esse ano?

Bom, se estamos nos propondo a comemorar essa passagem, com desejos de bons augúrios, estamos selando um acordo com o cosmos. Pois o momento acaba nos dando a sintonia com o estado cósmico do instante da comemoração. Torna-se um mapa de início de algo que estamos pedindo, portanto, deve-se cuidar para que o coletivo não se transforme em uma verdade para todos e assim nos sele um destino individual, talvez não desejado. Esse mapa do ano é um mapa eletivo para todos os nossos desejos e vontades. Portanto, ao dar os 7 pulinhos nas ondas, comer lentilhas, etc  na passagem do ano, podem nos trazer mais compromissos que talvez não queiramos.

Mas que mapa é esse?

Suponhamos que estejamos em Brasília e o mapa eletivo da nossa comemoração seria esse:

2016Comemora

É um mapa de Júpiter nascendo. Isso nos leva a buscar pedidos magnânimos, mas também dos excessos, da fartura excessiva e de bonança. Esse Júpiter está Virgem, buscando a cura para males, doenças muitas vezes incuráveis sem a correção da causa. Por outro lado, o coletivo estará buscando por justiça, pela justiça humana para as mazelas do poder corrompido, principalmente em Brasília. Há um desagrado geral com o Meio-do-céu, com o poder estabelecido no país e que estará sob o cadafalso do julgamento popular. O sinal disso é uma quadratura tripla ao MC por Júpiter, Nodo e Lua. O poder desse país corre os riscos de ser despojado, pois os apelos do povo, desse povo que agora quer agir como juiz nesse mapa de desejos. Todos estarão em descompasso com o status quo da atual situação política de crises  que se estabeleceu no país de 2015.

Por outro lado, marte em libra na segunda casa, não promete qualquer riqueza. O comercio do país, principalmente com o exterior tende a melhorar, pois vênus em sagitário, regente da segunda se posta na terceira. Naturalmente que se reforça esse país de produção agrícola. Mas para quem quer ganhar dinheiro e não mexe com a agricultura, certamente, não é um bom mapa para pedir um bem financeiro.

O sol nas bordas da quinta se junta a plutão prometendo um carnaval sexualizado e cheio de filhos, bem como, as pestilentas dengues, zikas, que prometem muita microcefalia e doenças sexualmente transmissíveis. É um ano que promete problemas em todas as direções que necessitam transformação institucional. Tudo isso se promete nesse ano que pretende ser solar. Tudo isso ainda recebe uma quadratura de urano na sétima que confere total  ou pessoal. Há uma generalizada intemperança na tomada de atitudes, sejam elas do governo ou do povo. Irritação, provocação e separações podem roubar as  expectativas de um ano tranquilo. Antevejo que no mês de abril devem-se concentrar os auges dessas crises. E tudo isso mostrado teatralmente pela novela televisa que temos que continuar assistindo em nosso cotidiano melodramático de notícias perversas.

Esse mapa do ano novo, não mostra um  Brasil competente para o mundo, para o exterior. Ele também não nos alivia de potenciais catástrofes naturais. Mas os brasileiros convulsionados necessitarão se ater às mudanças, principalmente as de ordem política. O grande problema é que o que se precisa substituir não se apresenta com substitutos à altura. Essa é a grande situação do cenário político brasileiro no ano, pois trocar doze por uma dúzia não vai resolver. Há uma pressa circunstancial dentro do descontentamento no ano que pode levar a surgir uma liderança não tão democrática assim. Portanto, não assuma tanto esse mapa. Desconfie dele, pois, ao assumi-lo poderemos estar nos compromissando com o que não queremos. Em astrologia é assim mesmo, tudo que desejamos tem um início nos céus. Um mapa astral desejado  é o nosso compromisso com o desenvolvimento do céu a partir momento inicial. Por exemplo, com esse mapa não peça para emagrecer, pois a tendência do ano é engordar.

Boas festas, mas seja menos jupiteriano nos seus desejos.

Adon Saleeby

Consultor astrológico (LINK)

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Urano: meu grande companheiro

Ontem, meu coração bateu. Era véspera de natal, esse natal de hoje, de 2015. Passava das duas da tarde, quando recebi de volta os meus queridos livros de astrologia, dos quais havia me afastado há mais de cinco anos. Meu sobrinho, Paulo Felipe, os conservara da minha briga intempestiva com a nossa arte-ciência. Ele os recebeu nas Minas Gerais, entre as montanhas de Ouro Preto, guardando o meu ouro com o conhecimento mágico dos astros. Tanto ouro eu paguei para tê-los ao longo de tantos anos e agora queria todos eles de volta. Não era egoísmo, mas saudade do conhecimento ali inserido. Eles me foram entregues ontem. O fim de um ciclo de urano retrógrado que desde o meu último retorno solar anda quadrando o meu urano natal. Estava próximo, muito próximo da quadratura perfeita e ficando direto em sua curva do tempo.

Foi briga para valer com a minha menina, a astrologia. Fiquei sem falar com ela por todo esse tempo. Joguei-a para o canto, me emburrei. Foi em 2009, sei lá quando… talvez nos primeiros meses daquele ano. Já não pegava nos meus livros, havia um tempo, mofavam na prateleira e me incomodavam, pois não queria falar com os astros “nunca mais”. Ah, mas o tempo me pregaria uma peça! No dia do meu retorno solar, primeiro de setembro, voltei. Como é mágico o meu urano! Entre 2007 e 2009 passei por uma quadratura dilacerante de plutão assentado no meu ascendente e urano mandando seus raios quadrados para o meu ser em desespero. E assim tudo aconteceu. O céu foi o próprio culpado por aquela separação entre o meu ser e aquela que havia sido minha companheira por tanto tempo. Naturalmente, havia a tradução terrena para o fato, mas os astros se conjuminaram para revelarem os fatídicos eventos, que agora são passados. O que importa é que me rendi, na atualidade, aos eternos encantos da menina uranizada.

Recebi as caixas de papelão. Duas. Abarrotadas de livros. Alguns em pé e outros já estampando a face risonha: Johndro, Greene, Dane, Dean, Hand… Todos desfilando com a mesma intimidade que andavam em minhas estantes ao longo de tantas décadas. Era uma festa revê-los no meu quarto de hóspedes da casa de minha família em Vitória. Era uma verdadeira vitória ter todos aqueles meus mestres de volta. Era o meu grande presente de Natal que o urano, já em processo estacionário nos céus da Terra, me trazia de volta dando-me novamente, a convivência com meus amigos do passado. Qual um menino bobo, ante seus presentes de natal, fiquei debruçado frente aos meus livrinhos da arte-mãe. Também eles, como eu, envelheceram. Capas que precisam ser recondicionadas; algumas traças deixaram  suas marcas; nas lombadas veem-se marcas vigorosas de muita leitura no passado; todos agora com seus papéis velhinhos, amarelecidos, com os topos escurecidos pelas poeiras assentadas de muitas cidades por onde andaram. Muitos foram meus companheiros de viagem.

Meus livros retornaram, agora Urano pode ficar direto, estou entendendo sua quadratura retrógrada ao meu urano natal. O seu retorno foi um belo presente, um presente de natal. Obrigado, senhor do tempo e do espaço. Obrigado,  querida Astrologia, linguagem de Deus para os homens.