A Astrologia e A Parte da Morte

DesastreCiclovia

A astrologia é ampla nas suas matérias. Quando a estudamos na atualidade não queremos ver muito as fatalidades, principalmente, a morte. Queremos a vida e não morte. Somos seres humanos e isso é natural. No entanto, muitos astrólogos sentem um fascínio pela morte, por ser capaz de predizê-la. Nisso, há um desvio de normalidade, um viés psicótico que impacta tanto o cliente quanto dá um certo prazer funesto em comunicá-lo a outrem. Na verdade, ninguém tem certeza de nada, muito menos de quando uma pessoa vai morrer e como vai morrer. Prever isso é maligno e fora de cogitação para os astrólogos de bem. Talvez, para o cliente, isso seja uma boa regra de avaliação das qualidades do consultor astral. De uma forma geral,  não falamos de morte nas nossas leituras, pois o mapa astral é um exercício de leitura para a vida.

A astrologia sempre teve, em sua tradição, o estudo da morte.  Isso ocorre principalmente na Astrologia Judicial, aquela que julga os momentos iniciais dos eventos: início de uma entrevista, de um adoecimento, de jogos, de guerras, etc. Dessa astrologia surgiram outras formas de astrologia, como a astrologia horária que responde sobre uma questão colocada em um determinado momento e hora, a astrologia eletiva, que trabalha com a escolha de melhores momentos e astrologia natal que é uma astrologia judicial do início da vida de uma pessoa.

Bom, devido as diferenças que ocorreram com as diversas astrologias, a astrologia judicial praticamente deixou de existir enquanto a humanidade caminhou para a idade moderna, pois na ausência da ciência médica, a astrologia judicial era de grande valia para julgar o início de enfermidades, os momentos das decubituras, aqueles, quando os doentes ficavam doentes. Na prática medieval da astrologia judiciária, vinham vários aforismos e ditames árabes para julgamento dos eventos. Entre eles estavam as partes árabes. Em particular, a Parte da Fortuna  (Diurna= ASC+LUA-SOL;  Noturna = ASC+SOL-LUA). Essa sobrou na maioria dos mapas horários e natais da atualidade, uma vez que mostra um ponto simbólico, onde está a “substância, o objetivo” desejado no referido mapa. Mas, há dezenas de outras partes árabes, que podem ser calculadas, como pode-se fazer através do calculador online de partes árabes.

Apesar do meu preâmbulo contrário aos cálculos mais fatalísticos, como o cálculo da Parte da Morte (ASC+8a-LUA), não diria que ele é insignificante, pois é uma parte que está ligada à morte de pessoas. E isso nos prova o fato do último desastre de queda da ciclovia no Rio, que ocorreu durante a Lua em sizígia, momento de lua cheia com aumento das mares. Isso ocorreu em 21/04/2016 às 11:13:12 BZT2. Vi essa hora no vídeo gravado por um carro que transitava no local na hora do desastre, como apresentou o Jornal Nacional. Duvidei da hora do evento tão preciso assim, em nível de segundos. Fiz o mapa.

QuedaCicloviaRio

Agora eu digo que essa hora estava correta, pois mostrou a precisão do evento pela Parte da Morte. Mas eu corrigiria o relógio em 2 segundos de tempo e diria que o horário exato era não o mostrado pelo relógio, mas sim 11:13:15 trazendo a Parte da Morte para 25Libra02 . Era a exata posição da Lua no fundo do céu, em graus e minutos.  Uau! Isso é impressionante, nunca gostei de analisar essa parte, pois a sua eficácia nunca a havia comprovada de forma tão eficaz. Sei agora que funciona e como funciona.

A condição para o cálculo das partes que dependem de cúspides de casa terrestre, como é o caso da Parte da Morte, é complexa, pois exige que se utilizem as casas terrestres de Regiomontanus, aquelas que dividem o equador em 12 partes iguais, o grande relógio da Terra, e os projete como semi-luas de tempo no plano eclíptico. Sofisticação fácil nos dias de hoje, quando os softwares de astrologia fazem isso com um clique. Assim temos a cúspide perfeita da oitava casa e assim se calcula com precisão o Lote ou Parte da Morte. Não façam isso em seus mapas natais, pois não terão condições de interpretar o que isso significa. Viva a vida!

No caso da astrologia judicial do evento, essa precisão dessa parte árabe, apesar de ser absolutamente relevante, é confirmada por diversas outras evidências astrológicas. A lua estava na via combusta (15ºLi – 15ºEs), mas em conjunção com estrelas benéficas (Spica e Arcturus). Foi ruim, mas poderia ter sido muito pior. Essa mesma Lua estava em oposição aplicativa ao Sol na décima, mas fazia oposição mais precisa à Urano conjunto a Vênus. E o Urano estava em harmonia com o maléfico Saturno (construção) em sagitário (a grande via de bicicletas). Urano no MC regia a casa da morte, a oitava, nascendo em Aquário, signo também regido por saturno. Em síntese, os pesados do céu se ajudando nos desastres.

Há mais sinais fatalísticos como o eixo nodal na cúspide da terceira casa, dos caminhos e vias. Lá também estava Júpiter (grandes), dispositor dos maléficos Marte e Saturno, na casa das doenças, em oposição a Netuno (água, mar, ondas). E esse na oitava em Peixes (mar), na casa da Morte. Não podemos esquecer do Plutão no Descendente, em capricórnio,  em quadratura com urano. Tradução astrológica para quebra de estrutura e que ocorreu subitamente.

Mas a Lua, regendo o Ascendente do momento, e conjunta a Parte da Morte me impressionou muito. Não gostaria de respeitar esse legado astrológico dos árabes, pois iria de encontro com o que acredito que posso trabalhar, que é o livre arbítrio do ser humano. Mas tenho que admitir, também, que há fatalidade. Ela existe!


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Consultas: ADON SALEEBY

 

8 ideias sobre “A Astrologia e A Parte da Morte”

  1. Oi, Adonis.
    Gostaria de saber se você conhece algum site que forneça informações “free” sobre “local space”. No Astrodienst temos apenas mapas astrcartograficos livre.

    Abraços

    Valdir

  2. E pq não falar de morte? Todos morremos ora essa!
    E pra mim se o astrólogo não falar de morte,acharei que ele faz um serviço incompleto,isso sim é que põe em questão a idoneidade e competência do mesmo,visto que,não falando de morte,está ocultando informações ao seu consulente…
    Astrólogo de bem pra mim é aquele que é sempre honesto e transparente com seu cliente,embora que o que ele tenha a dizer seja considerado “funesto”.Não acharia nem classificaria com mau aquele que me fosse franco =)
    Adorei o texto,a astrologia me fascina cada dia mais e mais!
    Um abraço e fizeste excelente trabalho!

    1. Cara Tamires,

      Eu apenas gostaria de acrescentar que falar da morte é muitas vezes necessário e útil para alguns clientes. No entanto, falar da “parte da morte” é muito fora do contexto da atual astrologia que praticamos. Trata-se de um ponto sinistro, ligado a uma fatalidade sem possibilidades de livre arbítrio. Acho que muitos clientes não gostariam de saber disso, não é mesmo?
      Abraços
      Adon

  3. Um astrólogo previu minha morte em 2016 e isso não gostei pois não pedi isso a ele,fazem muitos anos isso e esse infeliz ja morreu , acredito que existam karmas e que eles podem ser mudados com boas atitudes feitas pelo amor ao proximo como por exemplo ajuda humanitária e apelos da chama violeta ditada pelos mestres ,bom JÁ estamos em outubro de 2016 é eu estou aqui ,podemos modificar nosso destino em relação a essas previsões. Agradeço sua atenção em ler e aguardo resposta por email.Abraços.

    1. Pena que tenha passado por essa experiência de ter alguém que lhe ditasse uma regra fatal. A astrologia não serve para isso, a astrologia é da vida e não da morte. A fatalidade é algo que os astrológos não conseguem prever. Conseguimos no máximo ver tendências e sempre elas envolvem nossa capacidade de fazer as coisas. A astrologia ajuda nisso. Portanto, meu amigo, confie na sua vida. Ela é o que você tenha de melhor e supere esse dissabor de ter ouvido uma barbaridade que lhe faz mal até hoje.

    1. Não se preocupe com a morte. Considere que a oitava casa é a casa da transformação. Ela te força a encontrar seu próprio segredo interior. Um potencial que você precisa escavar e descobrir. Esse ano é uma grande possibilidade. Boa sorte!

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