Astrologia: Fatalidade ou Livre-Arbítrio?

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Hoje, voltei a pensar nesse tema: fatalidade ou livre-arbítrio. Lia Charles Carter, um ilustre astrólogo inglês do início do século passado. Ele escreveu um livreto famoso nos idos de 1920, denominado “The Seven Great Problems of Astrology”. Eu o havia comprado na década de 80, mas nunca o tinha lido. Ele descreve os 7 grandes problemas que temos no uso da astrologia. Para cada tema, ele desenvolve um raciocínio no estilo acadêmico de uma tese, mas não deixando de ser astrólogo.

Ainda não terminei o livreto. É um texto denso e monótono. Por enquanto, parei no terceiro problema em que ele desenvolve a temática das influências estelares. Bom, sobre influências ou sincronicidades cósmicas, coisa recente na época dele, ele defende que sofremos influências e as sincronicidades estão nesse bojo. E olha que eu me estrebuchei ao longo de minha vida de astrólogo para entender o que ocorria para os astros influírem tanto em nossas vidas. Bem, não quero falar do primeiro problema, mas do terceiro. Por enquanto, aceitem que sofremos mesmo influências astrais.

Na evolução de sua terceira tese, ele, primeiramente, dá uma criticada de leve no Lilly, coisa que eu não gostei, mas ele justifica: Lilly foi um competente astrólogo, que deixou um excelente material, mas que não deixou também onde errou. Realmente, isso é verdade, o Lilly só mostra o que acertou e isso certamente é algo que a maioria dos astrólogos fazem, minimizam os erros e valorizam os acertos. Como todos sabem, Lilly foi o grande expoente da astrologia horária. E a astrologia horária é bem fatalista. Errar em Astrologia Horária é incompetência do astrólogo. Será?

Mas Carter diz que a problemática na prática astrológica é utilizá-la na tentativa de fazer previsões definitivas com precisão de tempo. Coisas como essa foram muito comuns na astrologia praticada no Brasil, onde alguns astrólogos até registravam suas previsões em cartórios para demonstrar a veracidade das mesmas. Isso era bem-intencionado, pois queriam demonstrar a praticidade da astrologia, mas visando uma certa exposição midiática. No entanto, nunca vi, em nenhum congresso de astrologia, uma análise criteriosa do nível de acertos e erros daquelas previsões. Não sei se havia interesse em ver também os erros associados! Hoje, depois de tantos anos, vejo que a prática mais aceita da astrologia não é a de passar o “filme do futuro”, mas de escolher caminhar dentro das tendências associadas às influências astrais.

Sim o livre-arbítrio. Esse estilo astrológico está ligado à área moderna das consultas. Os clientes querem mais se autoconhecerem. E os astrólogos desenvolveram sua linguagem modernizada da astrologia para satisfazer sua clientela modernizada e cheia de alternativas de vida. “Vou para Miami ou dou um giro na Europa?” No entanto, essa astrologia ligada aos endinheirados, em um momento virou uma miscelânea horrorosa, onde tudo era válido para contentar aos clientes. Lembro, por exemplo, de uma pessoa, há muitos anos, que criou o seu próprio mapa natal com a ajuda de um astrólogo para fugir de seu carma e de seu suposto destino. E ele acreditava nesse mapa como ninguém. Em síntese, virou uma personagem em si mesmo, coisas que começaram a fluir muito na década de 80-90. Eu na época já praticava a astrologia horária para verificar até onde podíamos ou conseguíamos prever acontecimentos com base no simbolismo cósmico. Eu repudiava essa pretensa fuga de carma que virara modismo. Fiquei indignado com alguns colegas que entraram nessa onda para ganhar dinheiro de netunizados.

Uma coisa eu cheguei à conclusão naquela época. Nem lá, nem cá.  Fico com a ideia que vivemos dentro de um trem (o trem da vida), uma visão fatalista que saímos de uma estação (nascimento) e vamos chegar a uma estação de destino (falecimento). Dentro desse trem, no entanto, temos um livre arbítrio de andar, passear, comer e conversar com os outros. Portanto, a astrologia, para mim e, acredito, para muitos astrólogos modernos, agem da mesma forma tendo essa visão simbólica da vida. Acreditamos em uma fatalidade maior, mas tentamos melhorar as influências astrais com um certo livre arbítrio de opções. Assim, passamos às pessoas que nos consultam liberdade de atitudes, alternativas de vida, que as ajudem dominar suas próprias rédeas da vida ou enfrentar as influências cósmicas do momento.

Portanto, concordo com Carter em linhas gerais, caminhamos pelas duas vias. Objetivamos sempre o melhor para o nosso cliente, enquanto a fatalidade deixar.

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3 thoughts on “Astrologia: Fatalidade ou Livre-Arbítrio?”

  1. “Acreditamos em uma fatalidade maior, mas tentamos melhorar as influências astrais com um certo livre arbítrio de opções. Assim, passamos às pessoas que nos consultam liberdade de atitudes, alternativas de vida, que as ajudem dominar suas próprias rédeas da vida ou enfrentar as influências cósmicas do momento.

    Portanto, concordo com Carter em linhas gerais, caminhamos pelas duas vias. Objetivamos sempre o melhor para o nosso cliente, enquanto a fatalidade deixar.”

    PUTZ! Que inspiração!!! Bom fim de semana!

  2. Temos um certo “livre arbítrio” para escolher as sementes …. depois de escolhidas a colheita é fatal boa ou ruim…… O trem é o ambiente …. o ser humano a consciência. Qto mais livre arbítrio, mais a consciência escraviza o livre arbítrio no DEVER. Agora o dever (Saturno) é passaporte \ asas para o futuro \ liberdade!! O Mapa Astrológico é o roteiro, o guia, o gps…… O renascimento do ser humano se dá numa oitava superior do signo de Câncer …ié, no décimo terceiro signo O renascimento provocado pela iluminação de nossas raízes em Câncer (os iluminados costumam nascer à meia noite !!).
    ao mesmo tempo todos os estados de consciência estão presentes no aqui-agora …. desde o homens das cavernas …até
    um Papa Francisco ..ou…. Hoje vivemos momentos de insights,… flashs instantâneos …. redes !!! A fatalidade é só mais um cenário entre outros tantos ….

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