Existe um anticristo?

Sem Título-1

Perguntaram-me sobre a existência do anticristo. Não sou teólogo e nem mesmo tão religioso assim, mas tenho o meu conhecimento astrológico, que manifesta um lado místico em que percebo com clareza uma mensagem do mundo transcendente. Respeito toda essa transcendência como a base de minha religiosidade. E assim vou vivendo com os dilemas naturais dos seres humanos, que lutam por uma vida toda, por várias razões, mas que com certeza um dia vão morrer. Seria o anticristo mais uma motivação para vivermos a vida? Seria ele um personagem de nosso teatro de vida, que nos induz a materializar o bem e o mal, para que, na dicotomia da vida, arrumássemos algo para lutar? Vemos, no nosso dia a dia, que muitas religiões cristãs personificam muito mais o anticristo, pois ele é mais rentável do que o Cristo. São igrejas que unem os homens à Terra e aos poderes comezinhos e não ao Deus universal.

Há uma lenda, na astrologia, que no dia 5 de fevereiro de 1962 ocorreu o nascimento do anticristo. O banco de dados astrológicos AstroDienst registra um mapa bem preciso para o nascimento desse ser em Tel El Amarna, Egito às 7h07 desse dia.

Anticristo

Vejam que é um mapa bem sintomático e até mesmo didático do ponto de vista da astrologia. O grande stellium de Aquário, que os californianos comemoram como a entrada da Era de Aquário, está plantado na décima-segunda casa, a casa do sofrimento e da dor, do claustro, da prisão, do ranger de dentes nos porões da tortura. Somente três planetas estão fora desse circuito de horror, o planeta Netuno, ligado ao lado transcendente da vida, em escorpião, mandando a quadratura de tensões ao stellium. E Netuno está em aspecto harmônico com Plutão, o planeta infernal, visitando o signo de Virgem, que caracterizou, na geração daquela época, o início do momento Hippie. Isso somente aconteceu quando Urano entrou em virgem e aí a coisa desquartinou o mundo tradicional. Tudo se transformou a partir daí. Mas falávamos do mapa do Anticristo com ascendente em Aquário e MC em sagitário. Muito Aquário em uma prisão. Isso é panela de pressão e com fogo muito alto. Tudo era explosão naquele tempo, e o anticristo cristalizava essa explosão contida de liberdade. Isso era a meu ver toda a materialidade de um ser que no fundo existia em todos nós, impressos pelo céu em seus alinhamentos planetários.

A década de 1960, representou não só o nascimento de uma nova era, mas a quebra do tradicional, do status quo da humanidade, que vivia hierarquizado em um mundo de política e religião. Tudo verticalizado e com muito favorecimento aos iguais desiguais. Isso foi rompido. O anticristo da época era uma briga com o deus perenizado no poder despótico. Em alguns países, isso se deu ao contrário, ao invés de se estabelecer a democracia, estabeleceu-se a ditadura, como no Brasil, em Cuba e alguns outros. Bom, basta ver os livros de história, para ver como tudo isso fez sentido para um período onde o homem queria a liberdade de seus vínculos atávicos. A deusa da razão na revolução francesa e o anticristo dos anos 1960, fazem essa história de reafirmação da humanidade de vez em quando.
Mas vou raciocinar com a astrologia, talvez com numerologia, para poder responder o que acho do anticristo. Vamos pensar com o dois e com o três. O anticristo está ligado ao plano da dualidade, da polaridade, do sim e do não, do liga e desliga, do claro e do escuro, da vida e da morte. Para se materializar um conhecimento maior, somente baseado no “amor terreno” versus “anti-amor”, é limitar o contexto dessa palavra “amor”.

Nesse momento, chegou o Strauss, meu cachorrinho York que queria me dar bom-dia. Ele está ficando ceguinho e só tem 7 anos. A delicadeza dele não me deixa com dúvidas do seu grande afeto. Estava sentado há algum tempo ao meu lado, esperando pacientemente que eu parasse de digitar para lhe dar atenção. Abracei-o e lhe perguntei: “O que é amor? ” E nem acabei de pronunciar a frase e levei uma grande lambida no rosto. Fico emocionado com a demonstração de carinho da natureza e como ela nos ensina.

As palavras de amor ditas por Cristo, Buda e outros seres iniciados, são palavras maiores, elas não têm antônimos. Elas são as expressões ditas de nosso Deus maior silencioso, o grande regente de nossa orquestra universal. Na verdade, o amor não é dito e nem materializado, ele é sentido. Na astrologia, podemos perceber o amor na leitura das cartas astrais. Ele é expresso na nossa interpretação dos astros para auxiliar o progresso do seres humanos.
Por outro lado, a Bíblia, sem desmerecê-la, traz em muitas partes um enredo hollywoodiano baseado no claro-escuro, no bem e no mal, no dinheiro e poder em contraste à pobreza e a insignificância. Infelizmente, a Bíblia não traduz os iguais, mas na maioria das vezes só se relatam dicotomias. Um mundo de dualidades, na maioria das vezes de desamor. Até mesmo, quando se descreve Jesus, desfiguram-no entre o real e o fantástico. No entanto, o que há de sublime nele é a sua palavra, não a milagreira em que ele é revestido. Ele trouxe o “amor universal” à humanidade. Essa é a boa nova.
Estamos ainda em uma fase linear da história humana, de lutas e batalhas, de poder e dinheiro, capitalismo versus comunismo. No entanto, a humanidade precisa buscar o trígono, o triângulo da harmonia, deve buscar a complementação de suas dualidades com o ser universal etéreo, incorpóreo, mas sensível. Aquele que harmoniza esse grande triângulo de evolução da alma humana. Só assim conseguiremos a paz e não a polaridade de um anticristo. O anticristo existe sim, mas está no nosso lado obscuro da ignorância divina e do egoísmo interior. Os anticristos somos todos nós em busca de um caminho mais iluminado com o sentimento do amor universal. Não precisamos nos encerrar nessa cela de amarguras em que vivemos, precisamos buscar o mundo maior, mais livre para nós e para todos que nos cercam nessa nave da vida.

Desculpem-me não concordar com a materialização do Cristo, como instrumento de dor e sacrifício. Acredito que seja exatamente isso, que nos fez criar os fantasmas do anticristo. Vejo no amor, por todas as religiões do bem, uma extensão do Deus do universo. Esse é o nosso religare universal. A astrologia nos transmite isso, basta afinarmos o nosso instrumento musical em sintonia com a mecânica celeste.


Participe do Grupo ASTROTENDENCIA

Consultas: ADON SALEEBY

Deixe uma resposta