Paralelos: por que devemos utilizar?

 

Poucos de nós, astrólogos, dão importância real aos paralelos. Somente depois que vi, há alguns anos, que os paralelos e contra-paralelos do meu mapa astral eram proeminentes,  notei o quanto eles podiam me explicar sobre o meu envolvimento com a astrologia, com a informática, com o Esperanto e, até mesmo, com a metalurgia do urânio que tenho trabalhado há mais de vinte anos como pesquisador no meu instituto de pesquisa. [Urano//Plutão/©/Marte exatíssimos]. Dei-me conta, assim, que esses elementos do conjunto de ferramentas astrológicas são muito importantes.

Por que seriam importantes os paralelos?

Bom, primeiramente, devemos dizer que entender os paralelos e contra-paralelos não é trivial, pois tem que se entender um pouco de astrometria, isto é, a medida do posicionamento dos corpos celestes, aliás das luzes deles que chegam no céu. Gosto muito disso e tenho me dedicado substancialmente aos algoritmos da mecânica celeste e sua programação eletrônica. Devido a isso, medito muito durante a programação sobre todos esses elementos herdados da astrologia tradicional.

Um pouquinho de aula de astronomia. Um mapa astral utiliza dois sistemas para posicionar as luzes dos astros no céu. O mais conhecido e o amplamente utilizado pela astrologia é o sistema eclíptico, com a projeção de todos os astros no plano do zodíaco, o caminho do Sol, utilizando as longitudes eclípticas a partir de zero de Áries. Isso gera o famoso mapa astral que conhecemos. Sabemos que esses planetas, exceto o Sol, não estão nesse plano, mas projetados nele. Fisicamente, as distâncias desse plano seria a latitude eclíptica, mas que não é utilizada pelos astrólogos tradicionais. No entanto, surgem nos mapas uma informação importante, que também é meio esquecida pelos astrólogos modernos, as declinações. Elas são oriundas do sistema horário que é muito utilizado pelos astrônomos para dar a coordenada dos astros no céu. Utilizam-se, nesse sistema, dois outros elementos, a ascensão reta, que corre em cima do equador e a declinação, que mede a distância ortogonal do astro a partir do equador. Vejam a figura, para uma melhor visualização.

f0202-equatorial

 

Muitos astrólogos nem sabem o que fazer com as declinações e nem como medir os aspectos denominados paralelos e contra-paralelos. Mas alguns os usam de forma consciente, baseados nos fatos de que o paralelo ocorre quando dois planetas ou corpos celestes têm igual declinação, com orbe de +/-1 grau celeste. A astrologia tradicional diz que eles equivalem à uma conjunção entre planetas com longitude zodiacal igual.  Em síntese, paralelo, em termos de interpretação, seria igual a conjunção. Eu tenho minhas dúvidas da exatidão dessa afirmação. De forma semelhante, o contra-paralelo é um aspecto que ocorre quando as declinações de dois corpos celestes são iguais em número absoluto, mas com sinais opostos e ainda dentro da orbe de +/- 1 grau. Primeiramente, por que 1 grau de arco celeste? Não vamos descer no detalhe disso, pois essa discussão iria longe, acredito que nenhum astrólogo realmente entende muito bem qual a importância das orbes planetárias. (Não use a palavra órbita para essa distância entre os planetas em aspecto, órbita é outra coisa em astronomia). Sabe-se que quanto mais exato o aspecto, mais forte será a sua influência. Mas seria essa variação inversamente proporcional ou proporcional ao inverso da distância da exatidão do aspecto?  Há uma simplificação cruel nesse quesito da astrologia. Portanto, vamos supor que quanto mais exato um paralelo ou contra-paralelo, mais influência ele tem.

Poxa vida, mas esses astrólogos são loucos, usam dois sistemas de coordenadas e um não encaixa no outro?

Por muitos anos, eu não entendia esse uso desses dois sistemas, cada um dando um valor de referência e com os dois juntos não se pode saber de imediato a altura que um astro está do plano do mapa astral. Hoje os computadores, nos dão os dados e os usamos, mas sem saber muito das coisas.

Depois de muito meditar e analisando o sistema horário, vi que ele não tem nada a ver com o zodíaco, pois marca os astros dentro de um perfil totalmente geocêntrico, isso é para dentro da Terra e não para fora. E vamos mais além, as declinações são numericamente iguais as latitudes geográficas. Aquelas latitudes das cidades que colocamos para fazer o cálculo dos mapas astrais. Vamos além, quando a lua está a -20º de declinação, ela está passando por todos os zênites das cidades que tem latitude sul -20º Sul, por exemplo, Belo Horizonte. Isso ocorreria pelo menos uma vez por dia.

Portanto, os paralelos têm muita influência na Terra e o zodiáco nos joga para o espaço. Será que com o zodíaco estaríamos mais observando o nosso lado espiritual e  com as declinações os nossos lados humanos e materiais? Sobre a importância dos aspectos de paralelo, eu não tenho dúvida de sua validade. Nos meus mapas do Speculum para as bolsas de valores, noto  que paralelos e contra-paralelos são muito expressivos para indicarem movimentos de altas e quedas dos índices, assim como os demais aspectos eclípticos de longitude. Noto que a orbe de 1º é muito ampla, mas a de 0,1º é muito importante. Portanto, paralelos exatos e exatíssimos realmente funcionam. E esquecê-los na leitura de mapa astral natal é um erro, que não podemos cometer.

A minha conclusão seria, e não quero fazer disso um aforismo, mas sugerindo que os nossos colegas comecem a pesquisar mais sobre os paralelos, pois vão descobrir muito do comportamento dos indivíduos e também dos eventos mundanos.

Eu mesmo cometi uma gafe ao não analisar os aspectos de paralelo no evento da França. A análise que fiz está no seguinte link. Notei no mapa desse evento em Paris, que Plutão deveria estar mais enfático. Mas onde estava Plutão naquele mapa no plano zodiacal? Em uma quadratura aberta com urano, em trígono com júpiter, em sêxtil com quiron e em uma casa cadente mais de 10º longe do descendente. Muito pouco para um evento tão terrorista e sanguinário, não é mesmo? Mas olhem as declinações…. tchan, tchan, tchan…. um contra-paralelo exato com o ASC. O terrorista plutão no chão de Paris! Uau! As declinações funcionam! E esseo momento apesar de longe da lua nova, ainda poderia ser considerado como uma conjunção do Sol com a Lua, pois ambos estavam em um paralelo praticamente exato, com 0’21” de orbe.

MomentoPrrimeiroAtaqueParis13Nov15-decl

 

9 thoughts on “Paralelos: por que devemos utilizar?”

  1. Ola. Gostei muito dos seus comentários.

    Gostaria de saber o mapa Astral do Brasil. As vezes vejo com Ascendente em Peixes, outra vez ?Ascendente Aquário. Não daria para vc colocar o dia, hora, ano da Independência do Brasil? obrigada.

  2. A lua sai todo mês, duas vezes fora do limite da eclíptica (23°27) – declinação Norte e Sul, (*)outros planetas também, em seus trânsitos perto dos pontos de solstício. O pesquisadores americanos chama isso de OOB = Out of Bounds (fora dos limites, ou forasteiros). Ficam meio uranianos, por assim dizer (já que limite é Saturno). Tenho pesquisado isto faz uns bons anos, alem dos paralelos, Obrigado por trazer o assunto à baila. Abraço.s

    (*) Também em na progressão lunar.

  3. Olá,
    Você saberia dizer de onde vem os 8º 30′ de ambos os lados da ecliptica que é o zodiaco?
    Vi dizerem que é a distancia aparente que os planetas se distanciam da ecliptica, então seria 23º30′ de cada lado da ecliptica, não sei….

    1. Prezado Ricardo,
      Não sei se entendi direito sua pergunta. Mas pelos ângulos que você cita aparente está se referindo à latitude zodiacal que os planetas variam em suas órbitas com relação ao plano eclíptico (zodíaco), gerando uma faixa que pode ser visualizada na seguinte imagem: http://www.christianrosenkreuz.org/fig24.gif
      Quanto aos 23º27′ é a inclinação da eclíptica com relação ao plano do equador, denominado, na astronomia como “obliquidade” (https://en.wikipedia.org/wiki/Axial_tilt).

      1. Olá Adon,
        Então foi sobre isso mesmo que citou, me parece que a latitude zodiacal que os planetas variam em sua órbita com relação à eclíptica não seria até 23º27′ de declinação? Já que se vê um planeta tipo marte com 23º de declinação?
        Não entendo esse limite de 8º30’…
        Grato pela resposta

        1. Ricardo,

          O plano em que o Sol anda chama-se Zodíaco, os planetas andam para cima e para baixo com relação a esse plano. Só Plutão que tem uma inclinação muito maior e comumente sai dessa faixa. de mais ou menos 8º30. Essa faixa chama-se Faixa Zodiacal. No entanto, o Zodíaco, o plano em que o Sol caminha, visto da Terra, tem uma inclinação com relação ao plano do equador da Terra de 23º27. Isso não se chama declinação, mas obliquidade. Você precisa ler um pouco sobre coordenadas celestes. Há uma apostila USP muito boa na internet (http://www.cdcc.usp.br/cda/aprendendo-basico/esfera-celeste/esfera-celeste.htm). Bons estudos!

          1. Olá,
            Então, me enganei e troquei os sistemas, mas acho que não chegamos lá.
            No sistema equatorial é usado declinação, e no sistema ecliptico é usado latitude celeste.
            No site que postou deram a definição:
            “São aquelas constelações que se situam na faixa da linha da Eclíptica e que estejam compreendidas entre 8 graus ao norte e 8 graus ao sul da Eclíptica.”

            Ok, usando essa inclinação chegamos aos 8 gruas e meio.
            A órbita de Plutão está inclinado para o plano da eclíptica em cerca de 17,1 ° e sua excentricidade é de cerca de 0,24.

            Mas, quando o zodiaco foi criado deviam ter outra referência de largura de sua faixa por não conhecrem plutão.
            E a ecliptica vai da faixa do trópico de capricornio até câncer e seu meio seria o equador.
            Então por essa lógica acho que a faixa do zodiaco deveria ser a mesma da obliquidade da terra de 23 graus.
            Agora levanto essa nova dúvida.

            Olha um desenho clássico da idade média ilustrando um pouco do que estou tentando entender.
            http://vintageprintable.com/wp-content/uploads/2010/09/Celestial-Harmonia-Macrocosmica-of-Andreas-Cellarius-Plate-_17.jpg

            Um site bacana para simular essas coisas é o
            http://astro.unl.edu/animationsLinks.html
            Você conhece?

            Abraço.

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